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Em depoimento, padre diz a delegado que foi "desagradável" com menina estuprada

26 Ago 2020 - 11:40

Allan Pereira - RDNEWS

Em depoimento, padre diz a delegado que foi

Reprodução - [delegado pablo carneiro e padre]Delegado Pablo Carneiro, de Alta Floresta, conduz inquérito do padre Ramiro, que na rede criticou menina de 10 anos estuprada

O padre Ramiro José Perotto reconheceu em depoimento que “foi um tanto desagradável e preconceituoso em relação às vítimas de abusos sexuais”. O paróco da Paróquia São Paulo Apóstolo, de Carlinda (a 724 km de Cuiabá), ficou famoso após afirmar que a menina de 10 anos, violentada por quatro anos pelo tio e que engravidou, tendo que passar por aborto legal, compactuou com o estupro.

Ramiro prestou depoimento ontem à tarde (24), na Delegacia Regional de Alta Floresta, onde tramita inquérito do caso. A entrevista durou cerca de 40 minutos.

Segundo o delegado Pablo Carneiro, que colheu o depoimento, ele estava em um programa de rádio local, quando o entrevistador pediu “o real posicionamento do padre” e “se achava que era vítima quem provocava o estuprador”. O pároco respondeu que “existe um apelo nas vestimentas das crianças como se fosse adultas, expondo uma sensualidade que não condiz para a idade”. “Isso está relacionado música, programa de TV e até desenhos animados”, acrescenta.

Para Pablo, o padre fala que essa maneira de pensar foi distorcida e que foram feitas manchetes dizendo que ele afirmava que as crianças se vestem para instigar os agressores e a prática de crimes. “Ele reconheceu que se excedeu em alguns comentários, mas fala que acabou sendo vítima de algumas pessoas, que usaram as falas dele, para atacar a igreja católica e o cargo que ele ocupa”, pontua o delegado.

No depoimento, o padre reconheceu as postagens onde fez o comentário em que afirmava que a menina compactuava com o estupro e disse que, diante da discussão, acabou perdendo a noção de seus conceitos e que esclarece que em momento algum fez apologia ao crime, pois isso foge dos princípios cristãos.

A promotora de Alta Floresta, Laís Rezende, que responde também pelo município de Carlinda, instaurou um procedimento para investigar criminalmente o padre Ramiro. É investigado possível crime de apologia ao estupro. Enquanto isso, a Diocese de Sinop, pela qual a paróquia de Carlinda está subordinada, decidiu manter Ramiro no município e o proibiu de suas atividades na igreja.

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