Domingo, 9 de maio de 2021
informe o texto

Notícias | Polícia

Vereador usa até despachante para obter informações e conseguir roubar drogas

14 Abr 2020 - 10:04

Mikhail Favalessa e Bárbara Sá - RDNEWS

Vereador usa até despachante para obter informações e conseguir roubar drogas

Foto: Rodinei Crescêncio

vereador por Várzea Grande Jânio Calistro teria usado até mesmo um despachante para obter informações com o objetivo de roubar carregamento de drogas de grupos rivais no município. Em conversas extraídas do celular do parlamentar, ele aparece pedindo informações do registro de uma moto a um prestador de serviços e combinando o roubo com supostos comparsas.

Vereador Jânio Calistro foi preso em dezembro de 2019 e solto três meses depois pelo TJ

Esta reportagem faz parte da série Ligações Perigosas. As investigações mostram a suposta ligação do vereador com membros da facção criminosa Comando Vermelho.

As conversas constam em inquérito da Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE), que deflagrou a Operação Clean Up em dezembro do ano passado. Calistro ficou preso até 20 de março, quando foi solto com base em orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para evitar a disseminação da Covid-19 nas prisões brasileiras.

Em 26 de novembro, João Vanderson, conhecido como “Peruca”, envia uma mensagem no Whatsapp do vereador com a foto de uma moto vermelha com a placa QCF-XX80.

Em seguida, Calistro e Peruca começam a trocar áudios nos quais combinam de pegar o endereço do dono da moto, de acordo com as transcrições feitas pela polícia. O vereador pede para que o suposto comparsa vá pessoalmente buscar o endereço. Peruca cita que “chegou 80”, o que na interpretação dos investigadores seriam 80 kg de droga.




Calistro usa despachante para conseguir informações]Conversa do vereador Jânio Calistro com despachante, que enviou o registro de uma moto 

"Ele é entregador de Uber na moto, ele entrega... marmita e é ele que guarda. Num guenta um pau", descreve Peruca. “Falar pro cê vereador, amanhã cedinho já vou nesse endereço aí, entendeu? Vou ganhar o movimento tudinho, vou ficar dentro do carro, e os povo (sic)".

Calistro, em seguida, inicia uma conversa com um contato salvo como “Pedro Despachante” . O prestador de serviços, aparentemente, não sabe da finalidade real das informações pedidas pelo vereador. No áudio, o Calistro teria dito o seguinte:

"Ô, checa essa moto pra mim fazendo favor. No nome de quem tá e o endereço fazendo favor pra mim. Manda pra mim aqui no meu Whatsapp fazendo favor. Tá bom, faz favor pra mim Pedro. Preciso pegar esse cara aí, esse cara tá me devendo uma grana e eu só peguei o número da placa dele (...) o endereço dele na onde ele falou pra mim que ele mora, ele num tá. Então eu vou ver o endereço da placa da moto dele, fazendo favor, tá bom? Faz o favor pra mim".

Os investigadores escrevem que "em seguida o despachante informa como resposta o endereço que consta na placa. Observamos que o despachante utilizou seus serviços para ter acesso aos dados de pessoas alheias”. O endereço é de uma casa no bairro Alvorada, em Cuiabá.

Reprodução/Rdnews[Jânio Calistro usa despachante para conseguir informações]Em áudios no Whatsapp o vereador e Peruca conversam sobre atacar rival que teria droga

Peruca e Calistro voltam a conversar em 30 de novembro. Eles continuam combinando como conseguir roubar a droga do rival. Calistro pede a foto do homem e Peruca diz que não tem no momento, mas já conseguiu a imagem.

Em 2 de dezembro, uma nova troca de mensagens entre Calistro e Peruca mostra que a operação continua. O suposto criminoso conta que foi, ao lado de outro comparsa de apelido "Jack Chan", até a casa onde a droga estaria guardada. Eles teriam ficado observando a movimentação no local durante quase toda a manhã daquele dia.

O vereador orienta o comparsa sobre como proceder para conseguir roubar a droga do rival. "Tem que ver no qual que ele mora. Esse que cê tem que fazer. Num jeito do cê chamar ele pra comprar alguma coisa dele, pra fazer algum negócio com ele pra seguir ele depois?".

Outro lado
O advogado Ricardo Monteiro, responsável pela defesa de Jânio Calistro, disse ao que todas as acusações em relação ao vereador serão defendidas durante o transcorrer do processo na Justiça. Ele questionou o fato de que os policiais acompanhavam as ligações em tempo real e fizeram diversas prisões em flagrante para evitar crimes. No caso do vereador, não houve prisão em flagrante e, por isso, não teriam ocorrido crimes.

"Essa situações todas nós vamos trazer na instrução criminal, vamos demonstrar que efetivamente esses crimes não ocorreram. E tem a justificativa pra isso, inclusive com testemunha que é autoridade. Estamos arrolando até pessoas do aparelho de Segurança. Isso vai ser discutido dentro da instrução criminal, que a gente preferia não adiantar", disse.

0 comentários

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema da matéria comentada.

 
Sitevip Internet